Obesidade Infantil




A obesidade é um distúrbio que cada vez mais é frequente na população cosmopolita, tendo uma estreita correlação com o aumento da taxa de urbanização e individualização e com mudanças no estilo de vida: hábitos alimentares inadequados, dietas ricas em hidratos de carbono, vida sedentária e stress, já na infância (Grimaldi, 1994).


As teorias atuais da etiologia da obesidade dividem-se em dois grandes grupos de alterações metabólicas, decorrentes do: aumento de ingestão calórica; diminuição do consumo energético (Grimaldi, 1994). Estas alterações metabólicas poderiam até ser determinadas geneticamente e seriam o substrato facilitador para ação dos fatores ambientais (socioculturais, nutricionais, familiares, psicológicos, etc.), desencadeando e intensificando esta problemática (Grimaldi, 1994).


Muitas vezes a obesidade infantil pode ser o reflexo da estrutura familiar, sendo o portador, o depositário das dificuldades e frustrações da família, sendo neste caso a obesidade um distúrbio psicossomático (Grimaldi, 1994). Para a criança obesa este distúrbio serviria então de “tampão protetor” em relação aos seus próprios conflitos emocionais e em relação aos conflitos familiares, protegendo-a de uma psicotização (Grimaldi, 1994).


Em alguns casos, a comida funciona para o paciente como um símbolo da mãe, ou seja, um representante do primeiro contacto com esta, que é pela via do alimento (Grimaldi, 1994). Muitas vezes o alimento é uma expressão de amor. Assim, a comida para ambos, mãe/filho, fica identificada ao amor: comer representa uma manifestação de amor. Então, simbolicamente, quanto mais a criança comer, mais (simbolicamente) irá ingerir amor. Tendo em vista esta oralidade persistente, a gordura acaba por ter um papel fixo (Grimaldi, 1994). Ainda simbolicamente, conservar a gordura é sinónimo de manter a imagem do “bebé da mãe”, o que faz com que o proteja de conquistar espaços na vida (Grimaldi, 1994). Muitas vezes ouvimos dizer que o gordinho é simpático, alegre, etc; geralmente esta simpatia funciona como uma tentativa de recuperar a sedução espontânea do bebé (Grimaldi, 1994). A gordura pode ainda funcionar como a placenta que protege o obeso e o mantém seguro (Grimaldi, 1994).


A intervenção psicológica passará por trabalhar neste caso os hábitos alimentares, autoconceito e pensamentos distorcidos relacionados com o peso, sendo o objetivo a modificação dos hábitos alimentares e o aumento da atividade física.


O trabalho psicoterapêutico deve-se basear em clarear os vínculos familiares, para possibilitar uma mudança ulterior. É importante ressaltar que o processo de consciencialização e modificação de um comportamento é realizado a longo prazo e necessita de manutenção permanente (Grimaldi, 1994).

  

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica na Obesidade Infantil para Crianças e Adolescentes.

 

Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica

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