O Papel dos Pensamentos Positivos no Desporto



Algumas investigações referem que a convicção de realizar algo com êxito (expectativas de autoeficácia) produz um efeito favorável sobre a ação. Desta forma é essencial potenciar os pensamentos positivos.

Os pensamentos positivos correspondem à forma como o atleta encara a sua prestação, focando-se naquilo que é importante para o seu rendimento. A utilização do diálogo interno deve ser tida em conta, pois pode mostrar-se um recurso importante para ajudar o atleta a aperfeiçoar a execução de uma dada tarefa (Harris & Harris, 1987). Segundo Harris & Harris (1987) os atletas pensam tanto antes da competição como durante a mesma. Desta forma, o psicólogo deve ajudar os atletas a reconhecerem os seus pensamentos e a controlá-los. 
Os pensamentos positivos são a base do sucesso (Loehr, 1986). O conhecimento da forma de pensar de um atleta é fundamental para saber como se lidar com este no desempenho da sua tarefa. Neste sentido o psicólogo pode contribuir ajudando o treinador a saber lidar com os atletas (Lázaro, et al., s.d.). O positivismo está interligado com os fatores motivacionais e com o desenvolvimento da atitude competitiva (Loehr, 1986). O positivismo influencia a autoestima, a motivação, a atenção, na redução da ansiedade, no aumento de esforço e autoconfiança dos atletas (Lázaro, et al., s.d.; Weinberg & Gould, 2007).

Os pensamentos positivos são de uma grande importância na formação das respostas emocionais em competição ou mesmo nos treinos (Lázaro, et al., s.d.). É importante salientar que as respostas emocionais não surgem propriamente do resultado do evento, mas da interpretação que o atleta faz do evento (Weinberg & Gould, 2007). Os nossos pensamentos influenciam os nossos sentimentos, que, subsequentemente, influenciam as nossas ações. Desta forma é fundamental trabalhar com os atletas os seus pensamentos, para desta forma melhorar a sua performance (Williams, 1986).

A utilização de palavras-chaves pode ser uma das ferramentas para potenciar pensamentos positivos, a autoconfiança e para direcionar a atenção para as pistas mais relevantes da tarefa (Lázaro, et al., s.d.). Aliado a isto, também é importante o uso das afirmações positivas, uma vez que são manifestações que refletem atitudes ou pensamentos positivos e que, mais uma vez, promovem a autoconfiança (Williams, 1991).

À medida que os pensamentos positivos são implementados com os atletas, estes tendem a manifestarem-se, suprimindo o espaço que é deixado para a manifestação dos pensamentos negativos (Lázaro, et al., s.d.). A forma positiva como os atletas encaram uma competição está associada ao seu autocontrolo emocional, à direção da sua atenção e a uma autoconfiança elevada (Lázaro, et al., s.d.).

Segundo Perkos et al. (2002, cit. in Lázaro, et al., s.d.), a utilização permanente de pensamentos positivos ajuda o atleta a manter-se concentrado nos aspetos relevantes da tarefa presente, evitando que a sua mente se centre em aspetos anteriores ou futuros.

Os atletas confiantes manifestam uma atitude positiva e um sentimento de que tudo vai correr bem, assumindo que os seus sentimentos são algo que lhes vem de dentro e não um eco daquilo que os outros lhes dizem (Vasconcelos-Raposo, 1993). A preocupação destes atletas é obter sucesso ao contrário de se preocuparem com o facto de não obter sucesso ou com as causas que o podem desencadear (Williams, 1986). De qualquer forma, estes atletas são realistas e têm um profundo conhecimento das suas capacidades (Williams, 1986).


Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos atletas e clubes desportivos avaliação psicológica, apoio psicológico e intervenção psicológica em grupo.

 


Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde com uma dissertação em Psicologia do Desporto

A Coesão nas Equipas Desportivas



A literatura tem apontado a coesão como um aspeto importante na dinâmica de um grupo desportivo, assim como no desempenho dos atletas nos treinos e na competição (Brandão, 1993; Voight & Callaghan, 2001).

A coesão torna-se pertinente, uma vez que, nos meios de comunicação, há referência a conflitos entre jogadores do mesmo clube e entre atletas e treinadores (Vasconcelos-Raposo, 1994). Esta problemática é acompanhada de períodos de rendimento inferior (Vasconcelos-Raposo, 1994).

A coesão pode ser definida como o resultado de forças de atração exercidas pelo grupo quanto aos seus membros e propensa a mantê-los no seu seio (Thill, et al., 1989; Weinberg & Gould, 2007). Carron (1982, cit. in Figueiredo, 2000) conceptualiza a coesão como um processo dinâmico em que há uma tendência do grupo para permanecer junto, perseguindo em metas e objetivos comuns.

A coesão é uma conceptualização do processo de integração de capacidades técnicas e afetivas que expressa o modo coletivo de sentir, de pensar, de querer e de agir (Chappuis, 1989). A coesão não é rígida, modificando-se ao longo da pressão dos acontecimentos (fracassos, rivalidades, frustrações, angústias, etc.) (Chappuis, 1989). No entanto, a coesão pode ser trabalhada no sentido da sua manutenção, tendo sempre em mente a construção de um “clima de confiança” e de “bom espírito entre os atletas”. A eliminação de conflitos promove um melhor conhecimento de si próprios aos atletas, fá-los sentirem-se melhor e “agirem melhor” em conjunto (Chappuis, 1989).

A união de uma equipa é fundamental para o bom desempenho da mesma (Figueiredo, 2000). O respeito entre os jogadores promove a união do grupo e, nesse sentido, a presença de um líder, de um capitão, é um componente essencial para ajudar nessa integração (Corrêa, et al., 2002). Desta forma, nas equipas coesas, os atletas incentivam-se para que cada um faça o máximo possível para ajudar a equipa (Corrêa, et al., 2002).

A eficácia de um grupo desportivo baseia-se no equilíbrio entre cooperação e competição dentro do próprio grupo (Brandão, 1993). Quando o fator competitivo prevalece, aumenta a hostilidade e, por sua vez, a intolerância mútua (Brandão, 1993). Quando prevalece o fator cooperação, há um ambiente amistoso entre os membros e uma diminuição das críticas (Brandão, 1993). Estes dois fatores interferem com o grupo, quer nos treinos, quer nas competições (Brandão, 1993). Cooperação sem competição ou competição sem cooperação são extremos indesejáveis que ameaçam a eficiência do grupo (Brandão, 1993).

Weinberg e Gould (2007) referem que as competências individuais dos membros de uma equipa geralmente não predizem corretamente o desempenho da mesma.

Para que o rendimento de uma equipa desportiva seja o desejado, é necessário que a coesão afetiva (harmonia das relações interpessoais) caminhe lado a lado com a organização técnica (Thill, et al., 1989).

Uma equipa não tem sentido senão na medida em que todos os jogadores pretendem o mesmo fim, a vitória (Castelo, 1994). É em função da equipa que se determina as orientações do jogo, as interrelações (função de cada jogador, o seu posicionamento, os seus deslocamentos, e os seus comportamentos) e os direitos e as responsabilidades de cada um (Castelo, 1994). Kurt Lewin (1967, cit. in Castelo, 1994) refere que o grupo deve ser percecionado de uma forma gestaltista, porque as situações sociais e psicológicas são dinâmicas, querendo isto dizer que a modificação que afeta uma das suas partes implica a modificação do conjunto. O grupo não se pode reduzir à soma dos seus membros, pois é uma totalidade dinâmica onde as interrelações o dominam (Castelo, 1994).

Quer a dimensão de uma equipa, quer o tipo de relacionamento entre os atletas, são influenciados por alguns fatores tais como: tamanho, proximidade dos seus membros, permeabilidade, diferenciação dos papéis de grupo, comportamentalização e rotas de comunicação (Vasconcelos-Raposo, 1994b). Estas características subjacentes ao grupo, no seu total, definem a coesão (Vasconcelos-Raposo, 1994b). O nível de coesão é maior em grupos pequenos e com proximidade física (Figueiredo, 2000).

A comunicação é importante para a coesão, tal como para o desempenho da equipa (Figueiredo, 2000). Para trabalhar a coesão numa equipa devem-se definir objetivos comuns claros e que sofram mudanças de acordo com o progresso do grupo (Figueiredo, 2000). Deve-se encorajar a competição positiva dentro da equipa, para que os atletas possam juntos alcançar um melhor desempenho, e deve-se ter muito bem definido o papel de cada um para que todos se sintam responsáveis pelo sucesso da equipa (Figueiredo, 2000).
 

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos atletas e clubes desportivos avaliação psicológica, apoio psicológico e intervenção psicológica em grupo.



Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde com uma dissertação em Psicologia do Desporto

 

Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção



Cerca de 3% a 5% das crianças em idade escolar no mundo inteiro lutam com problemas de falta de atenção, impulsividade e hiperatividade. Destas 50% vão continuar a ter dificuldades na idade adulta. Esta patologia não desaparece com a idade, o que pode acontecer é uma modificação dos sintomas. A principal perturbação destas crianças é o défice de atenção e não o excesso de atividade motora. O último desaparece com o tempo, enquanto que o primeiro persiste na idade adulta.

A hiperatividade afeta dez vezes mais as pessoas do sexo masculino.

É uma perturbação do desenvolvimento de origem neuropsicológica que gera inatenção, hiperatividade e impulsividade.
 
Esta alteração de comportamento deve ser vista como um problema de saúde e não como uma questão disciplinar.

 Esta perturbação surge antes das crianças atingirem 7 anos e é geralmente diagnosticada quando a criança está em idade escolar, a partir do 2º ano. A sua sintomatologia só é considerada como perturbação de hiperatividade e défice de atenção quando dura mais de seis meses.

A maioria das crianças hiperativas tem dificuldades na aprendizagem. Os seus problemas de atenção, inquietação e falta de reflexão levam, frequentemente, a um rendimento escolar insatisfatório.

Estas crianças apresentam determinadas características tais como: distraem-se com facilidade, têm dificuldade em se concentrarem numa tarefa durante longos períodos de tempo, respondem sem refletir, exigem a satisfação imediata da sua vontade, manifestam dificuldade em manter a mesma posição, aceitam mal as indicações dos pais ou professores, têm mais dificuldade em controlar a sua conduta quando estão com outras crianças do que quando estão sozinhas, podem apresentar dificuldades, são lentas e brincalhonas, mudam bruscamente de estado de espírito, revelam imaturidade para a idade, negam os seus erros ou culpam os outros, exigem muita atenção, carecem de autoconfiança.

Existem alguns sinais de alerta que os pais e professores devem ter em conta como por exemplo, a criança é incapaz de ouvir uma história sem interromper, muda constantemente de atividade, jogo, brincadeira, interrompe as refeições sem motivo aparente, na ida ao supermercado pega em tudo, na escola fala com os colegas quando não o deve fazer, tem dificuldade em obedecer aos pais e professores.

As crianças com esta psicopatologia têm um risco acima da média de apresentarem problemas educacionais, comportamentais e sócio emocionais. Esta problemática afeta adversamente as relações familiares, o desempenho académico, as relações com os pares, bem como todas as áreas psicossociais.

A maior parte das crianças com Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção exibe dificuldades ao nível da auto monitorização, memória, controlo executivo e também dificuldades específicas de aprendizagem. Têm um rendimento académico que pode ser muito inferior às suas capacidades intelectuais devido aos seus problemas de atenção, memória e ao escasso controlo dos impulsos. Estas dificuldades devem ser avaliadas, uma vez que podem criar problemas na gestão de tempo, diminuição do autocontrolo, problemas no atraso da gratificação e reforço, dificuldades na separação entre afeto e comportamento, entre outros.

O défice de atenção é a principal causa da presença de um rendimento escolar abaixo das capacidades da criança, implicando dificuldades em selecionar os estímulos de forma adequada. Quando a informação chega a estas crianças, elas fixam-se em detalhes insignificantes e não são capazes de apreender a ideia principal. Quando respondem a uma pergunta, podem fazê-lo pela tangente e, nos seus trabalhos, repartem mal o tempo.

Se houver suspeitas de que a criança possa ser hiperativa deve recorrer-se a um médico (pedopsiquiatra, pediatra, neurologista) e a um psicólogo. O tratamento é geralmente mais eficaz se for conduzido por uma equipa multidisciplinar.

O trabalho do Psicólogo é essencial nesta perturbação, no entanto, se este trabalho não se estender ao contexto familiar, corre o risco de não ser eficaz. Deste modo, é crucial que os pais garantam um estilo de vida estável, calmo e estruturado, para que a criança não entre em stress.

Em primeiro lugar, é relevante que os pais aprendam a diferenciar os conceitos de desobediência e incompetência, para que sejam capazes de reduzir as punições, encaminhando as crianças para o desenvolvimento de comportamentos desejáveis. A criança deve possuir uma rotina quotidiana, sendo esta o mais estável possível, com uma hora estabelecida para cada tarefa; quando a criança acabar a tarefa, deve-se lembrar-lhe que ainda tem tempo para passar a outra. Isto leva-a a compreender que ainda tem tempo e pode planear a tarefa seguinte com mais calma. Os pais devem elaborar uma lista com aquilo que a criança pode ou não fazer, impondo regras que são fundamentais. Outro fator importante passa por eliminar os fatores distratores quando a criança está a fazer os trabalhos de casa (ex. televisão, videojogos, etc.).

Outra dimensão que deve ser trabalhada é a autoestima que muitas vezes manifesta-se desadequada nestas crianças. O indivíduo é um ser de natureza biopsicossocial, que tem uma significação para os outros e que através deles adquire significação para si mesmo, assim sendo, pode entender-se o motivo pelo qual estas crianças apresentam a sua autoestima destroçada, já que a construção que fazem de si mesmas baseia-se no significado atribuído pelo outro ao comportamento socialmente desadequado que manifestam. Quando os pais deixam de rotular a criança como preguiçosa e irresponsável, passando a destacar as suas competências, capacidades e aspetos positivos, estão a ajudar a melhorar a sua autoestima, garantido o seu desenvolvimento normal.

Os autores, Desidério e Miyazaki, expuseram algumas diretrizes para os cuidadores das crianças com esta psicopatologia como: evitar castigos em excesso, dado que estes têm um impacto negativo na autoestima; tentar manter uma postura coesa sobre o problema; empregar normas claras e ser coerente em relação a estas; evitar um estilo de educação mais permissivo; evitar discussões ou gritos em frente à criança; manter um diálogo sincero e questionar que dificuldades a criança sente no seu dia-a-dia; indicar como a criança se deve comportar; entre outras. Os autores anteriores, referem também que os pais desempenham um papel importante na realização das tarefas escolares e no estudo das crianças. Algumas das suas orientações acerca deste aspeto são: ouvir e respeitar a opinião da criança em relação ao local e horário preferido para a execução dos trabalhos de casa; se o local não for o mais apropriado, incentivar gradualmente na escolha mais desejada; alternar o estudo e as tarefas da escola com outras atividades; respeitar os limites das crianças em termos de tempo de concentração; ajudar no planeamento de tarefas.

Ser pai não é uma tarefa fácil. Ser pai de uma criança com Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção requer muita paciência, desta forma vários autores recomendam algumas estratégias a implementar, sendo estas: manifestar aceitação e apoio, demonstrando que ama e apoia; ser positivo, abandonando as expectativas negativas; escolher os amigos que compreendam os comportamentos do seu filho; aliar-se a um grupo de apoio frequentado por pais com a mesma problemática; reduzir o stress na família; utilizar uma criança mais velha (sempre que possível) para apoiar nos trabalhos escolares; procurar moderar o seu ritmo de vida, não possuindo um horário laboral excessivo nem se comprometendo com demasiadas tarefas; procurar tempo de descanso para todos os membros da família; fortalecer a sua relação conjugal.

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica para Crianças e Adolescentes.


Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica, Pós-Graduada em Psicologia Escolar

 

Motivação no Desporto






A motivação é um dos conceitos mais utilizados no desporto (Chantal et al., 1996). A importância da motivação parece dever-se ao facto de, quaisquer que sejam os níveis de performance de um atleta, baixos níveis de motivação repercutirem alguma problemática associada ao rendimento (Lázaro, et al., s.d.).

A motivação é a insistência em caminhar em direção a um objetivo, isto é, a mobilização de uma energia e a orientação dessa mesma para um fim (Chauvier, 1989; Singer, 1977).

Existem vários fatores que influenciam o rendimento, sendo os que têm maior destaque a motivação (intrínseca e extrínseca), a autoestima, a autoconfiança, a ansiedade e a agressividade (Pujals & Vieira, 2002).     

As teorias da motivação conceptualizam o comportamento em função de duas dimensões: a direção e a intensidade (Thill, et al., 1989). A direção corresponde à orientação seletiva do comportamento para um objetivo, podendo este ser material ou um certo nível atingir (Thill, et al., 1989). A intensidade refere-se à quantidade de energia investida no comportamento (Thill, et al., 1989). Esta vertente da motivação é importante no sentido de ajudar a elaborar estratégias de motivação para manter ou elevar o nível de entrega dos atletas às suas tarefas (Thill, et al., 1989).

Sendo assim, a motivação é o processo que coordena e dirige a direção e a intensidade do esforço dos atletas na sua modalidade (Weinberg & Gould, 2007). A tónica desta competência consiste na tendência para lutar pelo sucesso, persistindo face a fracassos e experimentando o orgulho pelos resultados conseguidos (Lázaro, et al., s.d.).

Esta competência psicológica é referida pelos treinadores como a principal, quer nos treinos, quer nas competições (Paim, 2004). Desta forma, a motivação é um elemento chave para que os atletas de alta competição executem as orientações dos treinadores e realizem os seus treinos diários (Paim, 2004).

Maggil (1984, cit. in Paim, 2004) refere que a motivação está associada à palavra motivo, podendo este ser definido como uma força interior, impulso, intenção, que determina a ação de um indivíduo. Assim sendo, para compreender a motivação é necessário investigar os motivos que influenciaram um dado indivíduo a ter aquele comportamento, uma vez que todo o comportamento é motivado, isto é, é impulsionado por motivos (Paim, 2004).

De forma geral, os motivos considerados como mais importantes para o envolvimento na prática desportiva são (Cruz, et al., 1995): o desenvolvimento de competências; as necessidades de afiliação; a realização/ estatuto; a excitação/desafio; a forma física; a descarga de energias; e a atmosfera de equipa/amizade.

Passer (1981, cit. in Paim, 2004) categorizou os motivos para a prática desportiva da seguinte forma:

- Afiliação: inclui motivos como estar com os colegas, encontrar novos colegas, receber o reconhecimento por parte dos colegas, gostar do espírito de equipa ou pertencer a uma equipa;

- Desenvolver habilidades: agrupa motivos como melhorar as habilidades, aprender novas habilidades, ir para um nível superior;

- Excitação e desafios: incorpora gostar do estímulo, apreciar a ação, gostar de competir, gostar de desafios;

- Sucesso e status: inclui motivos como gostar de vencer, querer ser notícia através dos meios de comunicação, fazer o que é bom, gostar de ganhar status social;

- Aptidão: engloba motivos como querer ficar em forma, gostar de fazer exercícios, querer ser fisicamente apto;

- Libertação de energia: apresenta motivos como querer aliviar a tensão e, ao mesmo tempo, querer ganhar energia.


Por outro lado, as razões mais frequentemente relatadas para justificar o abandono da prática desportiva têm sido o excesso de ênfase na vitória ou na competição; o conflito de interesses; o stress e a pressão competitiva; a falta de tempo de jogo; e problemas de relação interpessoal com os treinadores (Cruz, et al., 1995).

São vários os motivos que se interligam. Por um lado aqueles referentes à própria prática desportiva e, por outro, aspetos que ultrapassam o próprio desporto (Martins, 2002). A diversidade de motivos que influenciam os atletas são formados muitas vezes por acontecimentos passados e próximos, atuando de variadíssima forma (Martins, 2002). Os motivos que influenciam beneficamente um atleta para uma boa performance modificam-se dia a dia, jogo a jogo, época para época (Martins, 2002). As razões pelas quais um atleta atua numa modalidade são extremamente variáveis e não são suscetíveis de se reduzirem a conceitos rígidos (Martins, 2002). Não só são diferentes as razões de cada atleta para ingressar numa equipa, como também os motivos que o fazem atuar durante toda a época (Martins, 2002).

Existem duas dimensões quanto às fontes de motivação – a intrínseca e a extrínseca. A intrínseca refere-se aos motivos internos e não está dependente dos objetivos externos ou seja, importam os motivos que se relacionam com a própria prática e com os sentimentos que ela provoca (Chantal et al., 1996). Geralmente as pessoas que se regem por motivos intrínsecos para a prática desportiva fazem-no porque gostam de ser competentes e gostam da própria competição (Lázaro, et al., s.d.). Este tipo de motivação refere-se ao prazer que a prática desportiva proporciona ao sujeito (Calmeiro & Matos, 2004). Em relação à motivação extrínseca, esta caracteriza-se por ser uma fonte de motivação proveniente de outras pessoas, sob a forma de reforços externos positivos ou negativos, como as recompensas monetárias e o prestígio (Chantal et al., 1996; Lázaro, et al., s.d.). As pessoas orientadas extrinsecamente para a prática desportiva fazem-no para demonstrar habilidades e para se evidenciarem socialmente (Lázaro, et al., s.d.).

Vasconcelos-Raposo (2002) chama a atenção que este conceito culturalmente tem uma particularidade relativista, uma vez que os motivos diferem de lugar para lugar, entre sistemas sócioculturais e ao longo do desenvolvimento do indivíduo. Assim sendo, pode-se referir que os motivos dos atletas diferem de situação para situação, de acordo com o nível de aprendizagem em que se situam (Lázaro, et al., s.d.).

Numa equipa, parece ser consensual que os atletas têm necessidade de demonstrar as suas competências. Afinal de contas, são estas que muitas vezes distingue os convocados e os não convocados. Os atletas orientam-se para os contextos em que se sentem competentes, para demonstrarem essa competência e obter sucesso (Fonseca & Maia, 2000). No entanto, o sucesso varia de significado de atleta para atleta. Para uns significa ser melhor do que os restantes. Para outros ser melhor do que antes (Fonseca & Maia, 2000). Neste sentido, é importante entender e compreender o conceito de sucesso de cada atleta, procurando que sejam definidos objetivos comuns em função da equipa (Fonseca & Maia, 2000). 

Ames (1992) expõe que a promoção de um clima motivacional deve ser orientado para a mestria, em vez de ser orientado para o rendimento, para desta forma, promover o prazer e divertimento, e aumentar a motivação intrínseca dos sujeitos.

A promoção de um clima motivacional, tendo por base conceitos como a mestria e a melhoria contínua, promove a aprendizagem, as estratégias adaptativas de aprendizagem, as competências sociais, as relações interpessoais e a autoestima (Cruz, 1996).

Um outro conceito a ter em conta na motivação é o das atribuições; as causas que os atletas associam aos acontecimentos que percecionam ou realizam (Fonseca & Maia, 2000). As causas que os atletas dão para os seus resultados, quer positivos quer negativos, influenciam os seus sentimentos e a sua motivação para desempenhos futuros (Fonseca & Maia, 2000). Assim, quando um atleta atribui o seu insucesso à falta de capacidade, torna-se desmotivante e o insucesso parece ter uma ligação a longo prazo (Fonseca & Maia, 2000). Já quando um atleta atribui o mesmo insucesso à utilização de estratégias erradas é motivacionalmente mais adaptativo (Fonseca & Maia, 2000). 

As causas que os atletas atribuem para o seu sucesso desportivo são muito importantes. Geralmente, os atletas atribuem como causas mais importantes para o sucesso desportivo a motivação, o esforço e a competência (Lázaro, et al., s.d.). No que diz respeito aos fatores externos, os atletas tendem a minimizá-los (Lázaro, et al., s.d.).

Para trabalhar esta competência Samulski descreve algumas técnicas de automotivação para atletas de alto rendimento. Muitos atletas motivam-se através da imaginação das suas capacidades positivas, utilizando as seguintes mentalizações “eu confio na minha técnica”, “eu consigo fazer isto”, “eu acredito na minha preparação” (Figueiredo, 2000). Com outros atletas utilizam-se autoreforços materiais (comprarem um presente para si mesmos) ou autoelogios (Figueiredo, 2000). Outras estratégias que melhoram a motivação são a elaboração de metas concretas com objetivos a curto e longo prazo e a visualização mental (Becker Júnior, 2001; Figueiredo, 2000).

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos atletas e clubes desportivos avaliação psicológica, apoio psicológico e intervenção psicológica em grupo.



Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde com uma dissertação em Psicologia do Desporto

Estilos de Comportamento






A maioria das pessoas com quem estabelece contacto, na sua vida pessoal ou profissional, exibirão um dos três estilos de comportamento: serão (predominantemente) agressivas, submissas ou assertivas. Se quer ser capaz de lidar de forma eficaz com os vários interlocutores tem de conseguir reconhecer estes estilos de comportamento e munir-se dos métodos necessários para minimizar os respetivos efeitos negativos.

Uma componente importante consistirá em garantir para si próprio um lugar na categoria dos assertivos.

Passaremos agora às características destes três tipos básicos e como reconhecê-los instantaneamente.

A pessoa agressiva

A pessoa agressiva entra em conflito muitas vezes, preocupa-se apenas com a satisfação das suas necessidades e com frequência pisa as outras pessoas pelo caminho.

O agressivo gosta da sensação de poder que julga ter e da capacidade de obrigar as pessoas a andarem numa azáfama para lhe fazerem as vontades – mas é quase sempre um prazer efémero. Mesmo que o não reconheça abertamente, no seu íntimo sabe que está a tirar partido de pessoas que são mais fracas do que ele ou que estão numa posição que não lhes permite reagir.

Convencido de que é o único que tem razão em qualquer situação e de que só aquilo que ele quer é importante, o agressivo está sempre a lembrar aos outros como é inteligente, forte ou importante. Muitas vezes no que ele diz pode estar escondido sentimentos de inferioridade ou insegurança. Ao mesmo tempo que convence os outros da sua superioridade, o agressivo procura desesperadamente autoconvencer-se.

Muitas vezes vai verificar que o agressivo é um solitário. O seu comportamento tende afastar as outras pessoas, tanto na vida privada como profissional. Como tem de estar constantemente a lembrar a si próprio e a todos quantos o rodeiam que é o melhor, o mais interessante e o mais inteligente, é excessivamente crítico em relação às pessoas que o rodeiam. Pensar que tudo o que corre mal é por causa dos outros reforça-lhe mais o ego, mas não a popularidade. Por muito que deseje ter amigos, não é natural que o admita; os amigos devem ser tratados como iguais, mas ele não pode permitir-se a reconhecer que existem pessoas dignas de tal consideração.

Uma pessoa agressiva geralmente tem uma grande energia e vitalidade. Essa energia deveria ser aplicada positivamente. Infelizmente, tem tendência para usá-la de modo destrutivo, em vez de construtivo. Há pessoas que confundem agressão com força e desta forma utilizam a agressão verbal.

A pessoa agressiva não só não gosta verdadeiramente dela própria, mas também tem um efeito negativo sobre os que a rodeiam. Estes últimos podem se sentir irritados ou frustrados porque, apesar de terem a plena consciência de que é injusta a sua atitude, sentem-se impotentes para fazerem alguma coisa ou revoltados por terem de perder tempo e energias a tentarem defender-se das suas acusações injustas. Este desperdício de energias, aliado à sensação de impotência, é muito esgotante e muitas vezes provoca nas “vítimas” do agressor uma enorme tensão e ansiedade.

Mesmo sabendo que as acusações e os comentários do agressivo são injustos e infundados, quem por ele é apanhado na linha de fogo sente-se muitas vezes ferido e humilhado. Quantas mais pessoas o ouvirem a exercer a sua autoridade, mais poderoso se sente.

Como a antevisão de um acontecimento provoca geralmente mais ansiedade do que o próprio acontecimento, pode acontecer que quem tem de se relacionar com uma pessoa agressiva se sinta como vivesse à beira de um vulcão, sempre à espera da próxima erupção. Isto pode levar a uma sensação de ansiedade e inibição e no máximo a um excesso de stress que pode provocar danos para a saúde física ou mental.

Muitas pessoas quando podem optam por deixar a pessoa agressiva a falar sozinha, o que lhe reforçará a sensação de isolamento e de ser “diferente”. O resultado mais provável é esta agir de forma ainda mais agressiva.

A pessoa submissa

Em contraste com a anterior, a pessoa submissa é alguém que tem uma tendência constante para sacrificar as suas necessidades em favor das do próximo. Por isso, é facilmente pisada, mesmo por quem não é agressivo por natureza. É que parece que esta incentiva tal atitude nas pessoas com quem contacta.

O submisso sofre grandemente de sentimentos de insegurança e inferioridade. Tem pouca autoestima e autoconfiança. Sempre que entra em contacto com uma pessoa agressiva, os seus sentimentos de inferioridade são reforçados. A sua tendência é para aceitar a crítica sem sequer questionar se esta é justa ou não.

Como tem consciência de que dá azo a que as outras pessoas abusem – o que acontece frequentemente – o submisso fica muitas vezes furioso. No entanto, esta fúria não é expelida para cima de quem abusa, antes se vira para dentro por consentir o abuso. Estas pessoas pouco ou nada fazem para mudar esta situação, porque acham que “nem sequer vale a pena” tentar, porque “jamais” alguém vai levá-lo a sério ou respeitá-lo. Daqui surge uma enorme frustração interior, afinal de contas ninguém gosta de se sentir um “caso perdido”.

A pessoa submissa esconde muito bem aquilo que realmente sente. Passa a vida a fingir que está tudo bem ao mesmo tempo que vive num estado de ansiedade permanente, com medo de mais tarde ou mais cedo ser “apanhada” e alguém descobrir a sua verdadeira natureza. Para o agressivo isto é ótimo, pois ela assume sempre a culpa de tudo quando algo corre mal. Apanhar uma vítima voluntária, que acredita sempre que a culpa é toda sua, é um autêntico bónus!

Uma pessoa submissa afasta-se das outras por achar que não é digna de se misturar com estes seres superiores e que estes também não a queriam conhecê-la. Acha que ninguém iria querer dar-lhe ouvidos porque tudo o que pudesse dizer seria trivial, sem importância ou um disparate.

Se experimentar dar um elogio a um submisso, verá que ele é incapaz de o aceitar. Transforma em negativo qualquer comentário positivo. Se, por exemplo, disser “gosto muito desse fato, fica-lhe mesmo bem”, em vez de um simples “obrigado”, o mais provável é que o submisso lhe responda “ah, este trapo velho, aos anos que o tenho!” e você se sinta tão parvo (isto é, negativo) como ele.

 Como vive num estado de stress e ansiedade permanente, para já não falar no medo de ser “descoberto”, o submisso revela pouca energia e entusiasmo pela vida. Não tem tempo para si porque passa todo o tempo a fazer o que acha que os outros querem que ele faça.

O contacto com uma pessoa que é submissa pode ser uma experiência desgastante. É preciso ter muita energia para lidar com uma pessoa que tem sempre uma atitude negativa, traduzida em palavras e atos. Desgastante também porque nos obriga a um esforço para não perdermos a nossa disposição positiva. O resultado disto é que as pessoas tendem a evitar os submissos o que vai fazer com que aumentem os seus sentimentos de isolamento e inferioridade.

A pessoa assertiva

A pessoa assertiva tem tanto em consideração os seus direitos como os direitos das outras pessoas. Quer estar em pé de igualdade com os outros e não marcar pontos à custa deles.

Geralmente, a pessoa assertiva é a dos três tipos a única que atinge os objetivos que se propôs. O agressivo pode pensar que ganha a curto prazo, mas como cria à sua volta um grande mal-estar, não gera qualquer fidelidade em que possa confiar. O submisso nem sequer fixa objetivos, pois acredita que nunca conseguiria atingi-los.

O respeito pelos outros e a compreensão de que também eles têm necessidades e direitos distinguem o assertivo dos outros. Deseja que toda a gente fique a ganhar e por essa razão está disposto a negociar e alcançar compromissos positivos. Quando faz uma promessa, cumpre-a sempre, gerando confiança à sua volta. Como vive em contacto com os seus sentimentos, é capaz de explicar às outras pessoas aquilo que sente – mesmo quando o que sente é negativo face a qualquer coisa que lhe fizeram ou disseram – e sabe fazê-lo de forma a não provocar ressentimentos em quem ouve.

Interiormente, a pessoa assertiva sente-se em paz consigo própria e consequentemente com quem a rodeia. Cada novo desafio é encarado de modo positivo, e não negativo, e como tem confiança em si mesma e está consciente das suas limitações, está pronta a assumir um certo número de riscos quando está perante novas iniciativas ou ideias. Por vezes, as coisas podem não acontecer como tinha pensado, mas quem é assertivo percebe que é legítimo errar ocasionalmente e que é possível aprender com os erros. Assertividade é não ter que roubar as ideias dos outros nem apunhalá-las pelas costas. Quando as coisas correm com sucesso é capaz de assumir o êxito e ter orgulho – sem complexos de superioridade – naquilo que alcançou.

Para os outros intervenientes, a pessoa assertiva é alguém que dá gosto de ter. O seu entusiasmo pode ser contagioso e inspirar as outras pessoas a tornarem-se mais positivas. Como não manipula nem se põe às cavalitas de ninguém, quem o rodeia aprende a confiar nele e a colaborar com ele. O seu sentido de serenidade interior reduz o nível de tensão que sente, o que lhe permite canalizar a sua energia para a concretização dos seus objetivos. E como o seu humor raramente sofre variações, o seu comportamento com os outros é consistente e as linhas de comunicação estão sempre abertas.

A pessoa assertiva sente-se quase sempre bem consigo própria. E com isso faz com que as outras pessoas também se sintam bem. Desenvolve um sentimento de segurança e confiança porque a comunicação regular nos dois sentidos lhe permite saber o que se espera dela e em que ponto está.

O respeito faz parte integrante da atitude da pessoa assertiva – respeito por si e pelos outros. E este respeito reflete-se na forma como interage com os colegas, encorajando-os a colaborar o mais possível. Quando há resultados positivos, pequenos ou grandes, a pessoa assertiva dá um reforço positivo – um elogio ou um aplauso – o que contribui para que toda a gente se sinta incentivada a esforçar-se ainda mais por fazer bem seja o que for.

Depois da descrição acima dos três estilos de comportamento verifica-se que uma pessoa será mais feliz e conseguirá mais coisas se se tornar assertiva. E, se isso não é coisa que se consiga da noite para o dia, a verdade é que a vontade de mudar e um pequeno esforço podem dar uma grande ajuda.

Comece por tentar resolver pequenos problemas, deixando os maiores para depois. Assim poderá acumular uma série de vitórias, em vez de ter a sensação de que está a fazer um esforço enorme com poucos resultados. Não se esqueça de parar para se congratular com o êxito que obteve, por muito pequeno que seja. Um dos atributos da pessoa assertiva é ser capaz de se sentir satisfeita com os progressos que faz.

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes Consultoria e Formação.



Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga, Pós-Graduada em Gestão de Pessoas

Relacionamento Interpessoal numa Organização



“Os relacionamentos interpessoais que se criam entre os sujeitos visam, sobretudo, o bem-estar pessoal e o dos outros. Mas para que os relacionamentos sejam salutares e equilibrados, há que primeiro conhecermo-nos a nós próprios.”


A base para a melhoria das relações interpessoais é a compreensão de que cada pessoa tem uma personalidade própria, que precisa ser respeitada. Cada ser humano traz consigo necessidades sociais, materiais e psicológicas, que precisam ser satisfeitas, pois elas influenciam o seu comportamento e, consequentemente, os resultados na produção das tarefas executadas.


O relacionamento interpessoal é muito importante no contexto organizacional, uma vez que a produtividade de um grupo e a sua eficiência estão estreitamente relacionadas não apenas com a competência dos seus colaboradores, mas sobretudo com a solidariedade das suas relações interpessoais.


Ter de se relacionar e eventualmente depender de outro indivíduo pode não ser confortável para alguns colaboradores, não é raro encontrar pessoas que escolhem a solidão.


Um relacionamento interpessoal envolve dar e receber ao mesmo tempo, é abrir-se para o novo, é aceitar e fazer-se aceite, procurar ser entendido e entender o outro. A aceitação começa pela capacidade de escutar o outro, colocar-se no lugar dele e estar preparado para aceitar o outro. Um dos fatores que potencia relações interpessoais positivas é o trabalho em equipa, em que todos se interajudam para chegar ao mesmo objetivo.


A comunicação é muito importante nas relações interpessoais. A eficiência na comunicação entre os colaboradores de uma empresa é extremamente necessária.

O bom relacionamento interpessoal dentro de qualquer empresa é um fator motivacional que leva a um bom ambiente de trabalho, a um maior interesse das atividades, e por sua vez a uma melhor integração de todos os colaboradores.


Acredita-se também que quanto melhor e mais bem atendidas são as necessidades básicas dos colaboradores, melhor será o seu desempenho.


Para que haja um ambiente de trabalho agradável e sem conflitos, é necessário que os colaboradores não ajam de forma individualizada e passem a interagir como uma equipa, promovendo relações amigáveis e fazendo com que cada um procure colaborar com o outro, mas, para isso, é preciso que cada um faça a sua parte, pois se todos não estiverem dispostos a contribuir, não iremos chegar a lugar algum.      


Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes Consultoria e Formação.




Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga, Pós-Graduada em Gestão de Pessoas

 


Luto



Robert Burton defendia que muitas vezes o luto conduz à depressão (Almeida, 1998).


A morte não é apenas o encerramento de uma vida, mas também o conjunto de sentimentos e emoções que provoca nas pessoas que sofrem a perda (Frade & Barragán, 2005). São sentimentos de negação, raiva, desconcerto, desadaptação, tristeza e depressão que podem durar muito tempo em alguns casos ou terminar em poucas semanas ou meses depois, noutros (Frade & Barragán, 2005). Alguns sujeitos fecham-se em si mesmos e não exteriorizam os sentimentos e emoções que a perda lhes acarretou; outros, pelo contrário, expressam de forma aberta o que sentem (Frade & Barragán, 2005). A perda de alguém por morte é como uma ferida, uma lesão, ou uma doença, precisa de tempo para se curar (Frade & Barragán, 2005). A dor psicológica que o sujeito sente é tão importante como uma ferida física observável: o tempo irá colocar uma distância ao acontecimento de morte como à relação que se detinha com a pessoa morta (Frade & Barragán, 2005). A duração deste processo ajuda na recuperação, se se permitir experimentar e sentir tudo o que for necessário para se libertar da pessoa falecida e prosseguir com a vida (Frade & Barragán, 2005).


Os sintomas depressivos é uma reação normal a uma perda (Frade & Barragán, 2005). Variados sintomas de depressão são típicos de uma situação de luto: introversão, apatia, diminuição de energia, dependência, sentimentos de impotência ou abandono, ambivalência, vergonha, sentimentos de estar fora do controlo, despersonalização, falta de concentração e problemas somáticos. Aqui, o papel do psicólogo é guiar a elaboração do luto, fornecer um espaço para que o indivíduo possa exteriorizar os seus sentimentos e emoções e conseguir uma melhor adaptação e aceitação da nova situação e uma explicação das emoções próprias deste processo, cuja finalidade é recordar a perda sem dor (Frade & Barragán, 2005).


Para Karl Abraham, a depressão está para o luto assim como a angústia está para o medo. Para o autor, o luto é a emoção normal que corresponde à depressão (Marcelli & Braconnier, 2005).


Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica.




Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica


Obesidade Infantil




A obesidade é um distúrbio que cada vez mais é frequente na população cosmopolita, tendo uma estreita correlação com o aumento da taxa de urbanização e individualização e com mudanças no estilo de vida: hábitos alimentares inadequados, dietas ricas em hidratos de carbono, vida sedentária e stress, já na infância (Grimaldi, 1994).


As teorias atuais da etiologia da obesidade dividem-se em dois grandes grupos de alterações metabólicas, decorrentes do: aumento de ingestão calórica; diminuição do consumo energético (Grimaldi, 1994). Estas alterações metabólicas poderiam até ser determinadas geneticamente e seriam o substrato facilitador para ação dos fatores ambientais (socioculturais, nutricionais, familiares, psicológicos, etc.), desencadeando e intensificando esta problemática (Grimaldi, 1994).


Muitas vezes a obesidade infantil pode ser o reflexo da estrutura familiar, sendo o portador, o depositário das dificuldades e frustrações da família, sendo neste caso a obesidade um distúrbio psicossomático (Grimaldi, 1994). Para a criança obesa este distúrbio serviria então de “tampão protetor” em relação aos seus próprios conflitos emocionais e em relação aos conflitos familiares, protegendo-a de uma psicotização (Grimaldi, 1994).


Em alguns casos, a comida funciona para o paciente como um símbolo da mãe, ou seja, um representante do primeiro contacto com esta, que é pela via do alimento (Grimaldi, 1994). Muitas vezes o alimento é uma expressão de amor. Assim, a comida para ambos, mãe/filho, fica identificada ao amor: comer representa uma manifestação de amor. Então, simbolicamente, quanto mais a criança comer, mais (simbolicamente) irá ingerir amor. Tendo em vista esta oralidade persistente, a gordura acaba por ter um papel fixo (Grimaldi, 1994). Ainda simbolicamente, conservar a gordura é sinónimo de manter a imagem do “bebé da mãe”, o que faz com que o proteja de conquistar espaços na vida (Grimaldi, 1994). Muitas vezes ouvimos dizer que o gordinho é simpático, alegre, etc; geralmente esta simpatia funciona como uma tentativa de recuperar a sedução espontânea do bebé (Grimaldi, 1994). A gordura pode ainda funcionar como a placenta que protege o obeso e o mantém seguro (Grimaldi, 1994).


A intervenção psicológica passará por trabalhar neste caso os hábitos alimentares, autoconceito e pensamentos distorcidos relacionados com o peso, sendo o objetivo a modificação dos hábitos alimentares e o aumento da atividade física.


O trabalho psicoterapêutico deve-se basear em clarear os vínculos familiares, para possibilitar uma mudança ulterior. É importante ressaltar que o processo de consciencialização e modificação de um comportamento é realizado a longo prazo e necessita de manutenção permanente (Grimaldi, 1994).

  

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica na Obesidade Infantil para Crianças e Adolescentes.

 

Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica

Perturbações de Eliminação: Enurese e Encoprese







A enurese pode definir-se como o ato de urinar na cama e nas roupas após os três anos de idade, quer durante o sono quer em vigília, sendo considerado por Ajuriaguerra (1980) o seu carácter involuntário (Oliveira, 1994). O autor atrás referido, considera a enurese como a falta de controlo na emissão da urina, aparentemente involuntária, que aparece ou reaparece após a idade em que a criança deveria ter adquirido a maturidade fisiológica da bexiga (Oliveira, 1994; Marcelli, 2005). Esta, geralmente, surge após os três anos de idade da criança (Oliveira, 1994). Cordovil (1983) define a enurese como a falta de controlo da micção após os três ou quatro anos de idade. Este autor afirma que a criança que desenvolve enurese não deve deter nenhum comprometimento orgânico capaz de impedi-la de controlar o esfíncter vesical, sendo a enurese involuntária, inconsciente e sem a sensação da necessidade de urinar (Oliveira, 1994).



No que se refere às formas de enurese, deve-se ter em conta tanto o ritmo nictemérico quanto a faixa etária da criança quando surge a problemática. Quanto ao ritmo, este é nomeado como noturno, diurno e noturno/diurno (Oliveira, 1994). No que diz respeito à faixa etária da criança relativamente ao surgimento da enurese, esta é classificada em primária e secundária (Oliveira, 1994). Nomeia-se enurese primária quando a criança nunca controlou a micção; é secundária quando ela aparece ou reaparece após um período mais ou menos longo de controlo de esfíncteres (Oliveira, 1994).



Segundo Kaplan & Sadock (1984), a enurese surge duas vezes mais no sexo masculino do que no sexo feminino. Vários autores referem que a enurese tem base hereditária (Oliveira, 1994).



Dado que a criança enurética nem sempre pode controlar o esfíncter vesical após os 14 anos de idade, independentemente de correções cirúrgicas de alterações anatómicas, pode-se afirmar que esta problemática tem forte componente psicológico associado (Oliveira, 1994). Assim, o fato da criança não controlar a micção após certa idade pode ser a manifestação de perturbações psicológicas profundas. Estas evidenciam-se através de sentimentos de desconfiança e desamparo por parte dos familiares, o que pode provocar dificuldades nas relações interpessoais futuras (Oliveira, 1994). Assim alguns autores, referem que esta patologia pode estar ligada a uma perturbação da dinâmica familiar. Para Ajuriaguerra (1980), a enurese pode ser a expressão de um conflito profundo que irá impedir a organização afetiva e relacional da criança (Oliveira, 1994).



Murahovschi (1983) afirma que a ansiedade no seio familiar e o treino higiénico inadequado podem contribuir para acentuar o problema da enurese (Oliveira, 1994).



Culturalmente, os pais destas crianças não relacionam este sintoma com os distúrbios de humor nos seus filhos (Oliveira, 1994). Daí a necessidade de os pais serem sempre sensibilizados para uma possível depressão da criança e da influência que eles próprios possam exercer na emergência e na manutenção da enurese (Oliveira, 1994).



Alguns autores concluíram que os fatores emocionais são a principal causa da enurese (Oliveira, 1994).



Segundo Ackerman (1986), a interação dos membros da família nos seus respetivos papéis vai determinar a qualidade da estabilidade das interações familiares (Oliveira, 1994). A conquista da estabilidade é influenciada pela capacidade de cada um dos seus membros competirem e controlarem os seus conflitos internos e as suas relações. Se estes conflitos não forem controlados, então, podem surgir doenças no seio familiar e o paciente identificado se evidência, sendo este membro aquele com mais carência de atenção e afeto (Oliveira, 1994). O paciente identificado emerge muitas vezes de famílias que não geram saúde emocional nos seus membros, sempre buscando ajuda e ajudando a diminuir conflitos relacionais, em que consequentemente é para ele que são dirigidas parte das agressões (Oliveira, 1994). Assim, o sintoma do paciente identificado não é mais do que uma consequência das dificuldades interacionais dentro do seu lar (Oliveira, 1994).



Muitas vezes, estas crianças objetivam a enurese para receberem um pouco mais de afeto e atenção dos seus pais (Oliveira, 1994). Na falta parcial de afeto, a criança com enurese pode desenvolver determinado sintoma, o qual muda o seu comportamento para obter assim ganhos secundários (Oliveira, 1994). Deste modo, a enurese é um exemplo de distúrbio psicológico e somático (Oliveira, 1994).



No trabalho psicoterapêutico deve-se ajudar a criança com enurese e os membros da sua família a suprir as necessidades afetivas ainda não satisfeitas (Oliveira, 1994).



A encoprese é considerada uma defeção nas cuecas, em crianças, entre os 2 e 3 anos, que já ultrapassaram a idade de aquisição da higiene (Marcelli, 2005). A encoprese divide-se em primária e secundária, na primeira não há história de contenção numa fase anterior, na segunda, surge após uma fase mais ou menos longa de contenção (Marcelli, 2005). Segundo a literatura, esta patologia surge em maior percentagem no sexo masculino (Marcelli, 2005). Quanto à idade, surge geralmente entre os 7 e os 8 anos (Marcelli, 2005).



A encoprese e a enurese podem ser concomitantes ou surgir em períodos alternados (Marcelli, 2005).



Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica para Crianças e Adolescentes.




Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica