Psicologia do Desporto




Sabe o que é? Sabia que existia Psicólogos para ajudar atletas?


Vários autores consideraram que o objeto de estudo da Psicologia do Desporto é o comportamento dos indivíduos envolvidos no desporto e no exercício ou atividade física, prevalecendo dois objetivos centrais: a) avaliar como os fatores psicológicos afetam o rendimento físico dos indivíduos; b) verificar como é que a participação no desporto e atividade física afeta o desenvolvimento psicológico, a saúde e o bem-estar dos indivíduos.


Brito (2007) realça três pontos: 1) a Psicologia do Desporto não se baseia apenas nos fatores psicológicos dos atletas, mas também nos apoios que recebe, as suas carências e dificuldades, a sua relação com a família, os amigos, os treinadores e equipa técnica, os dirigentes e até o público; 2) estende-se desde as camadas jovens das formações, vai até à alta competição e não termina com o abandono do atleta da modalidade; 3) procura otimizar o bem-estar do atleta e não apenas trabalhar o rendimento desportivo, pois este último muitas vezes depende do próprio bem-estar e equilíbrio do atleta.


A Psicologia do Desporto pretende otimizar as operações internas dos atletas no sentido de maximizar o seu potencial físico, técnico e tático adquirido no processo de preparação (Carballido, 2001).


Há quem defenda que entre 40% a 90% do sucesso numa competição é proveniente dos fatores psicológicos e que, quanto maior é a fasquia dos atletas, mais importante se tornam estes fatores (Williams, 1986).


Vasconcelos-Raposo (1993) refere que, para se atingir bons níveis de prestação, são necessários dois requisitos: um ligado à biomecânica das tarefas (a qualidade técnica) e o outro, também ligado ao primeiro, é a habilidade mental de controlar todos os fatores que podem influenciar a prestação desportiva.


Um atleta pode ter o melhor treino físico e apuramento técnico. No entanto, se for invadido por preocupações e stress, estes são de reduzido valor pois vão impedi-lo de conseguir uma boa performance (Vasconcelos-Raposo, 1990). Na realidade, os fatores psicológicos são tão preponderantes que podem destruir, em pouco tempo, horas a fio de treino físico (Vasconcelos-Raposo, 1990).


Contextualizando o atleta como um ser humano bio-psico-social, em que o seu corpo é o instrumento de trabalho, parece pertinente não deixar ao acaso aspetos ligados ao aumento da concentração, ao controlo da ansiedade e stress, à motivação, à paciência, à responsabilidade, ao compromisso com os objetivos, à comunicação e autoconfiança, além da superação dos limites e capacidade de aprender com os erros e críticas (Magina, s.d.). Se os fatores psicológicos são muitas vezes apontados como a causa de uma vitória, também com a mesma frequência se relata que uma derrota pode ter origem psicológica (Brito, 2007).


Com a evolução das situações competitivas, em que entram de uma forma conjugada comportamentos, envolvimento, emoções, a Psicologia do Desporto tem variadas possibilidades de intervenção (Brito, 2007).


Para Ribeiro (s.d.), o papel do psicólogo no acompanhamento de um atleta é uma condição essencial para a sua performance. As modalidades desportivas exigem cada vez mais a participação dos processos cognitivos e do pensamento dos atletas no seu rendimento (Ribeiro, s.d.).


Nos dias de hoje começa a ser viabilizada uma nova “filosofia” organizacional, em que uma das características mais importantes é o reconhecimento da necessidade de um psicólogo interventivo e presente para garantir um rendimento positivo e estável das equipas (Cozac, s.d.).


Fornecer aos atletas acompanhamento psicológico é tão importante como uma alimentação saudável, programada por nutricionistas (Cozac, s.d.). O papel do psicólogo responsável pela saúde psíquica de uma equipa parte de uma abordagem das emoções que os jogadores vivenciam no seu trabalho (Cozac, s.d.). Em cada novo jogo são mobilizadas várias sensações que, sem apoio psicológico, podem ser mal elaboradas, o que pode provocar atos impensados que prejudicam o próprio atleta ou mesmo o grupo do qual fazem parte (Cozac, s.d.).


A Psicologia não serve apenas para obter vitórias, mas para resolver possíveis problemas dos atletas e fornecer um melhor equilíbrio (Brito, 2007).


De uma forma geral, a intervenção psicológica em contextos desportivos tem como objetivos primordiais a promoção do desenvolvimento e crescimento psicológico dos atletas e a promoção e otimização do seu rendimento (Cruz, 1996).


O papel do psicólogo pode ser importante em vários campos, tais como (Brito, 2007): deteção de talentos, aprendizagem, treino, relação atleta-treinador, melhoria de resultados, controlo emocional, gestão de resultados (bons e maus), recuperação de lesões, problemas clínicos (depressão, angústia, medos, manias e superstições, etc), resolução de conflitos, problemas familiares, oscilações na “forma” e “maus desempenho”, aconselhamento, gestão do fim da carreira, abandono ou “reforma” e vida após a competição.


Segundo o modelo de intervenção psicológica em contextos desportivos, deve coexistir uma interação contínua entre uma componente educacional (ex. programa de desenvolvimento de competências psicológicas nos escalões de formação de um clube, programa de preparação mental para a alta competição para atletas seniores, programa de formação psicológica de treinadores, etc.), componente organizacional (ex. formação psicológica dos vários agentes desportivos, gestão dos recursos humanos de um clube, apoio no planeamento e gestão estratégica de um clube, apoio nos planos de marketing e publicidade, etc.) e uma componente clínica (ex. intervenção psicológica do tipo “remediativo” na recuperação de lesões, no controlo do stress e ansiedade, em quebras súbitas de rendimento, no abuso de drogas, no fim da carreira desportiva, no burnout, em desordens alimentares e avaliação psicológica) (Cruz, 1996).


Ter que manter a imagem, proporcionar uma boa atuação e ir ao encontro dos resultados esperados acaba por ser um exercício stressante para os atletas, principalmente porque o jogador acredita e é levado a crer que tudo depende dele, já que a nossa cultura individualista fomenta essa atitude autocentrada, o que constitui uma das razões de sofrimento para muitos atletas (Corrêa, et al., 2002). Compreender os fatores relacionados à performance pode ajudar os atletas a terem um maior cuidado com a sua carreira, possibilitando uma evolução no nível de saúde e de bem-estar dos mesmos (Corrêa, et al., 2002).


Nos últimos anos, os clubes têm começado a preocupar-se em valorizar os aspetos psicológicos do jogador e a necessidade de disciplina, conduta, responsabilidade e autoconfiança passou a ser fator a ter em conta aquando a contratação de um atleta (Corrêa, et al., 2002).


Por fim, deixo esta citação: “É bom não temer o psicólogo, o seu papel é ajudar” (Brito, 2007).



Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos atletas e clubes desportivos avaliação psicológica, apoio psicológico e intervenção psicológica em grupo.




Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde com uma dissertação em Psicologia do Desporto

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