Estilos de Comportamento






A maioria das pessoas com quem estabelece contacto, na sua vida pessoal ou profissional, exibirão um dos três estilos de comportamento: serão (predominantemente) agressivas, submissas ou assertivas. Se quer ser capaz de lidar de forma eficaz com os vários interlocutores tem de conseguir reconhecer estes estilos de comportamento e munir-se dos métodos necessários para minimizar os respetivos efeitos negativos.

Uma componente importante consistirá em garantir para si próprio um lugar na categoria dos assertivos.

Passaremos agora às características destes três tipos básicos e como reconhecê-los instantaneamente.

A pessoa agressiva

A pessoa agressiva entra em conflito muitas vezes, preocupa-se apenas com a satisfação das suas necessidades e com frequência pisa as outras pessoas pelo caminho.

O agressivo gosta da sensação de poder que julga ter e da capacidade de obrigar as pessoas a andarem numa azáfama para lhe fazerem as vontades – mas é quase sempre um prazer efémero. Mesmo que o não reconheça abertamente, no seu íntimo sabe que está a tirar partido de pessoas que são mais fracas do que ele ou que estão numa posição que não lhes permite reagir.

Convencido de que é o único que tem razão em qualquer situação e de que só aquilo que ele quer é importante, o agressivo está sempre a lembrar aos outros como é inteligente, forte ou importante. Muitas vezes no que ele diz pode estar escondido sentimentos de inferioridade ou insegurança. Ao mesmo tempo que convence os outros da sua superioridade, o agressivo procura desesperadamente autoconvencer-se.

Muitas vezes vai verificar que o agressivo é um solitário. O seu comportamento tende afastar as outras pessoas, tanto na vida privada como profissional. Como tem de estar constantemente a lembrar a si próprio e a todos quantos o rodeiam que é o melhor, o mais interessante e o mais inteligente, é excessivamente crítico em relação às pessoas que o rodeiam. Pensar que tudo o que corre mal é por causa dos outros reforça-lhe mais o ego, mas não a popularidade. Por muito que deseje ter amigos, não é natural que o admita; os amigos devem ser tratados como iguais, mas ele não pode permitir-se a reconhecer que existem pessoas dignas de tal consideração.

Uma pessoa agressiva geralmente tem uma grande energia e vitalidade. Essa energia deveria ser aplicada positivamente. Infelizmente, tem tendência para usá-la de modo destrutivo, em vez de construtivo. Há pessoas que confundem agressão com força e desta forma utilizam a agressão verbal.

A pessoa agressiva não só não gosta verdadeiramente dela própria, mas também tem um efeito negativo sobre os que a rodeiam. Estes últimos podem se sentir irritados ou frustrados porque, apesar de terem a plena consciência de que é injusta a sua atitude, sentem-se impotentes para fazerem alguma coisa ou revoltados por terem de perder tempo e energias a tentarem defender-se das suas acusações injustas. Este desperdício de energias, aliado à sensação de impotência, é muito esgotante e muitas vezes provoca nas “vítimas” do agressor uma enorme tensão e ansiedade.

Mesmo sabendo que as acusações e os comentários do agressivo são injustos e infundados, quem por ele é apanhado na linha de fogo sente-se muitas vezes ferido e humilhado. Quantas mais pessoas o ouvirem a exercer a sua autoridade, mais poderoso se sente.

Como a antevisão de um acontecimento provoca geralmente mais ansiedade do que o próprio acontecimento, pode acontecer que quem tem de se relacionar com uma pessoa agressiva se sinta como vivesse à beira de um vulcão, sempre à espera da próxima erupção. Isto pode levar a uma sensação de ansiedade e inibição e no máximo a um excesso de stress que pode provocar danos para a saúde física ou mental.

Muitas pessoas quando podem optam por deixar a pessoa agressiva a falar sozinha, o que lhe reforçará a sensação de isolamento e de ser “diferente”. O resultado mais provável é esta agir de forma ainda mais agressiva.

A pessoa submissa

Em contraste com a anterior, a pessoa submissa é alguém que tem uma tendência constante para sacrificar as suas necessidades em favor das do próximo. Por isso, é facilmente pisada, mesmo por quem não é agressivo por natureza. É que parece que esta incentiva tal atitude nas pessoas com quem contacta.

O submisso sofre grandemente de sentimentos de insegurança e inferioridade. Tem pouca autoestima e autoconfiança. Sempre que entra em contacto com uma pessoa agressiva, os seus sentimentos de inferioridade são reforçados. A sua tendência é para aceitar a crítica sem sequer questionar se esta é justa ou não.

Como tem consciência de que dá azo a que as outras pessoas abusem – o que acontece frequentemente – o submisso fica muitas vezes furioso. No entanto, esta fúria não é expelida para cima de quem abusa, antes se vira para dentro por consentir o abuso. Estas pessoas pouco ou nada fazem para mudar esta situação, porque acham que “nem sequer vale a pena” tentar, porque “jamais” alguém vai levá-lo a sério ou respeitá-lo. Daqui surge uma enorme frustração interior, afinal de contas ninguém gosta de se sentir um “caso perdido”.

A pessoa submissa esconde muito bem aquilo que realmente sente. Passa a vida a fingir que está tudo bem ao mesmo tempo que vive num estado de ansiedade permanente, com medo de mais tarde ou mais cedo ser “apanhada” e alguém descobrir a sua verdadeira natureza. Para o agressivo isto é ótimo, pois ela assume sempre a culpa de tudo quando algo corre mal. Apanhar uma vítima voluntária, que acredita sempre que a culpa é toda sua, é um autêntico bónus!

Uma pessoa submissa afasta-se das outras por achar que não é digna de se misturar com estes seres superiores e que estes também não a queriam conhecê-la. Acha que ninguém iria querer dar-lhe ouvidos porque tudo o que pudesse dizer seria trivial, sem importância ou um disparate.

Se experimentar dar um elogio a um submisso, verá que ele é incapaz de o aceitar. Transforma em negativo qualquer comentário positivo. Se, por exemplo, disser “gosto muito desse fato, fica-lhe mesmo bem”, em vez de um simples “obrigado”, o mais provável é que o submisso lhe responda “ah, este trapo velho, aos anos que o tenho!” e você se sinta tão parvo (isto é, negativo) como ele.

 Como vive num estado de stress e ansiedade permanente, para já não falar no medo de ser “descoberto”, o submisso revela pouca energia e entusiasmo pela vida. Não tem tempo para si porque passa todo o tempo a fazer o que acha que os outros querem que ele faça.

O contacto com uma pessoa que é submissa pode ser uma experiência desgastante. É preciso ter muita energia para lidar com uma pessoa que tem sempre uma atitude negativa, traduzida em palavras e atos. Desgastante também porque nos obriga a um esforço para não perdermos a nossa disposição positiva. O resultado disto é que as pessoas tendem a evitar os submissos o que vai fazer com que aumentem os seus sentimentos de isolamento e inferioridade.

A pessoa assertiva

A pessoa assertiva tem tanto em consideração os seus direitos como os direitos das outras pessoas. Quer estar em pé de igualdade com os outros e não marcar pontos à custa deles.

Geralmente, a pessoa assertiva é a dos três tipos a única que atinge os objetivos que se propôs. O agressivo pode pensar que ganha a curto prazo, mas como cria à sua volta um grande mal-estar, não gera qualquer fidelidade em que possa confiar. O submisso nem sequer fixa objetivos, pois acredita que nunca conseguiria atingi-los.

O respeito pelos outros e a compreensão de que também eles têm necessidades e direitos distinguem o assertivo dos outros. Deseja que toda a gente fique a ganhar e por essa razão está disposto a negociar e alcançar compromissos positivos. Quando faz uma promessa, cumpre-a sempre, gerando confiança à sua volta. Como vive em contacto com os seus sentimentos, é capaz de explicar às outras pessoas aquilo que sente – mesmo quando o que sente é negativo face a qualquer coisa que lhe fizeram ou disseram – e sabe fazê-lo de forma a não provocar ressentimentos em quem ouve.

Interiormente, a pessoa assertiva sente-se em paz consigo própria e consequentemente com quem a rodeia. Cada novo desafio é encarado de modo positivo, e não negativo, e como tem confiança em si mesma e está consciente das suas limitações, está pronta a assumir um certo número de riscos quando está perante novas iniciativas ou ideias. Por vezes, as coisas podem não acontecer como tinha pensado, mas quem é assertivo percebe que é legítimo errar ocasionalmente e que é possível aprender com os erros. Assertividade é não ter que roubar as ideias dos outros nem apunhalá-las pelas costas. Quando as coisas correm com sucesso é capaz de assumir o êxito e ter orgulho – sem complexos de superioridade – naquilo que alcançou.

Para os outros intervenientes, a pessoa assertiva é alguém que dá gosto de ter. O seu entusiasmo pode ser contagioso e inspirar as outras pessoas a tornarem-se mais positivas. Como não manipula nem se põe às cavalitas de ninguém, quem o rodeia aprende a confiar nele e a colaborar com ele. O seu sentido de serenidade interior reduz o nível de tensão que sente, o que lhe permite canalizar a sua energia para a concretização dos seus objetivos. E como o seu humor raramente sofre variações, o seu comportamento com os outros é consistente e as linhas de comunicação estão sempre abertas.

A pessoa assertiva sente-se quase sempre bem consigo própria. E com isso faz com que as outras pessoas também se sintam bem. Desenvolve um sentimento de segurança e confiança porque a comunicação regular nos dois sentidos lhe permite saber o que se espera dela e em que ponto está.

O respeito faz parte integrante da atitude da pessoa assertiva – respeito por si e pelos outros. E este respeito reflete-se na forma como interage com os colegas, encorajando-os a colaborar o mais possível. Quando há resultados positivos, pequenos ou grandes, a pessoa assertiva dá um reforço positivo – um elogio ou um aplauso – o que contribui para que toda a gente se sinta incentivada a esforçar-se ainda mais por fazer bem seja o que for.

Depois da descrição acima dos três estilos de comportamento verifica-se que uma pessoa será mais feliz e conseguirá mais coisas se se tornar assertiva. E, se isso não é coisa que se consiga da noite para o dia, a verdade é que a vontade de mudar e um pequeno esforço podem dar uma grande ajuda.

Comece por tentar resolver pequenos problemas, deixando os maiores para depois. Assim poderá acumular uma série de vitórias, em vez de ter a sensação de que está a fazer um esforço enorme com poucos resultados. Não se esqueça de parar para se congratular com o êxito que obteve, por muito pequeno que seja. Um dos atributos da pessoa assertiva é ser capaz de se sentir satisfeita com os progressos que faz.

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes Consultoria e Formação.



Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga, Pós-Graduada em Gestão de Pessoas

Luto



Robert Burton defendia que muitas vezes o luto conduz à depressão (Almeida, 1998).


A morte não é apenas o encerramento de uma vida, mas também o conjunto de sentimentos e emoções que provoca nas pessoas que sofrem a perda (Frade & Barragán, 2005). São sentimentos de negação, raiva, desconcerto, desadaptação, tristeza e depressão que podem durar muito tempo em alguns casos ou terminar em poucas semanas ou meses depois, noutros (Frade & Barragán, 2005). Alguns sujeitos fecham-se em si mesmos e não exteriorizam os sentimentos e emoções que a perda lhes acarretou; outros, pelo contrário, expressam de forma aberta o que sentem (Frade & Barragán, 2005). A perda de alguém por morte é como uma ferida, uma lesão, ou uma doença, precisa de tempo para se curar (Frade & Barragán, 2005). A dor psicológica que o sujeito sente é tão importante como uma ferida física observável: o tempo irá colocar uma distância ao acontecimento de morte como à relação que se detinha com a pessoa morta (Frade & Barragán, 2005). A duração deste processo ajuda na recuperação, se se permitir experimentar e sentir tudo o que for necessário para se libertar da pessoa falecida e prosseguir com a vida (Frade & Barragán, 2005).


Os sintomas depressivos é uma reação normal a uma perda (Frade & Barragán, 2005). Variados sintomas de depressão são típicos de uma situação de luto: introversão, apatia, diminuição de energia, dependência, sentimentos de impotência ou abandono, ambivalência, vergonha, sentimentos de estar fora do controlo, despersonalização, falta de concentração e problemas somáticos. Aqui, o papel do psicólogo é guiar a elaboração do luto, fornecer um espaço para que o indivíduo possa exteriorizar os seus sentimentos e emoções e conseguir uma melhor adaptação e aceitação da nova situação e uma explicação das emoções próprias deste processo, cuja finalidade é recordar a perda sem dor (Frade & Barragán, 2005).


Para Karl Abraham, a depressão está para o luto assim como a angústia está para o medo. Para o autor, o luto é a emoção normal que corresponde à depressão (Marcelli & Braconnier, 2005).


Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica.




Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica


Obesidade Infantil




A obesidade é um distúrbio que cada vez mais é frequente na população cosmopolita, tendo uma estreita correlação com o aumento da taxa de urbanização e individualização e com mudanças no estilo de vida: hábitos alimentares inadequados, dietas ricas em hidratos de carbono, vida sedentária e stress, já na infância (Grimaldi, 1994).


As teorias atuais da etiologia da obesidade dividem-se em dois grandes grupos de alterações metabólicas, decorrentes do: aumento de ingestão calórica; diminuição do consumo energético (Grimaldi, 1994). Estas alterações metabólicas poderiam até ser determinadas geneticamente e seriam o substrato facilitador para ação dos fatores ambientais (socioculturais, nutricionais, familiares, psicológicos, etc.), desencadeando e intensificando esta problemática (Grimaldi, 1994).


Muitas vezes a obesidade infantil pode ser o reflexo da estrutura familiar, sendo o portador, o depositário das dificuldades e frustrações da família, sendo neste caso a obesidade um distúrbio psicossomático (Grimaldi, 1994). Para a criança obesa este distúrbio serviria então de “tampão protetor” em relação aos seus próprios conflitos emocionais e em relação aos conflitos familiares, protegendo-a de uma psicotização (Grimaldi, 1994).


Em alguns casos, a comida funciona para o paciente como um símbolo da mãe, ou seja, um representante do primeiro contacto com esta, que é pela via do alimento (Grimaldi, 1994). Muitas vezes o alimento é uma expressão de amor. Assim, a comida para ambos, mãe/filho, fica identificada ao amor: comer representa uma manifestação de amor. Então, simbolicamente, quanto mais a criança comer, mais (simbolicamente) irá ingerir amor. Tendo em vista esta oralidade persistente, a gordura acaba por ter um papel fixo (Grimaldi, 1994). Ainda simbolicamente, conservar a gordura é sinónimo de manter a imagem do “bebé da mãe”, o que faz com que o proteja de conquistar espaços na vida (Grimaldi, 1994). Muitas vezes ouvimos dizer que o gordinho é simpático, alegre, etc; geralmente esta simpatia funciona como uma tentativa de recuperar a sedução espontânea do bebé (Grimaldi, 1994). A gordura pode ainda funcionar como a placenta que protege o obeso e o mantém seguro (Grimaldi, 1994).


A intervenção psicológica passará por trabalhar neste caso os hábitos alimentares, autoconceito e pensamentos distorcidos relacionados com o peso, sendo o objetivo a modificação dos hábitos alimentares e o aumento da atividade física.


O trabalho psicoterapêutico deve-se basear em clarear os vínculos familiares, para possibilitar uma mudança ulterior. É importante ressaltar que o processo de consciencialização e modificação de um comportamento é realizado a longo prazo e necessita de manutenção permanente (Grimaldi, 1994).

  

Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica na Obesidade Infantil para Crianças e Adolescentes.

 

Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica

Perturbações de Eliminação: Enurese e Encoprese







A enurese pode definir-se como o ato de urinar na cama e nas roupas após os três anos de idade, quer durante o sono quer em vigília, sendo considerado por Ajuriaguerra (1980) o seu carácter involuntário (Oliveira, 1994). O autor atrás referido, considera a enurese como a falta de controlo na emissão da urina, aparentemente involuntária, que aparece ou reaparece após a idade em que a criança deveria ter adquirido a maturidade fisiológica da bexiga (Oliveira, 1994; Marcelli, 2005). Esta, geralmente, surge após os três anos de idade da criança (Oliveira, 1994). Cordovil (1983) define a enurese como a falta de controlo da micção após os três ou quatro anos de idade. Este autor afirma que a criança que desenvolve enurese não deve deter nenhum comprometimento orgânico capaz de impedi-la de controlar o esfíncter vesical, sendo a enurese involuntária, inconsciente e sem a sensação da necessidade de urinar (Oliveira, 1994).



No que se refere às formas de enurese, deve-se ter em conta tanto o ritmo nictemérico quanto a faixa etária da criança quando surge a problemática. Quanto ao ritmo, este é nomeado como noturno, diurno e noturno/diurno (Oliveira, 1994). No que diz respeito à faixa etária da criança relativamente ao surgimento da enurese, esta é classificada em primária e secundária (Oliveira, 1994). Nomeia-se enurese primária quando a criança nunca controlou a micção; é secundária quando ela aparece ou reaparece após um período mais ou menos longo de controlo de esfíncteres (Oliveira, 1994).



Segundo Kaplan & Sadock (1984), a enurese surge duas vezes mais no sexo masculino do que no sexo feminino. Vários autores referem que a enurese tem base hereditária (Oliveira, 1994).



Dado que a criança enurética nem sempre pode controlar o esfíncter vesical após os 14 anos de idade, independentemente de correções cirúrgicas de alterações anatómicas, pode-se afirmar que esta problemática tem forte componente psicológico associado (Oliveira, 1994). Assim, o fato da criança não controlar a micção após certa idade pode ser a manifestação de perturbações psicológicas profundas. Estas evidenciam-se através de sentimentos de desconfiança e desamparo por parte dos familiares, o que pode provocar dificuldades nas relações interpessoais futuras (Oliveira, 1994). Assim alguns autores, referem que esta patologia pode estar ligada a uma perturbação da dinâmica familiar. Para Ajuriaguerra (1980), a enurese pode ser a expressão de um conflito profundo que irá impedir a organização afetiva e relacional da criança (Oliveira, 1994).



Murahovschi (1983) afirma que a ansiedade no seio familiar e o treino higiénico inadequado podem contribuir para acentuar o problema da enurese (Oliveira, 1994).



Culturalmente, os pais destas crianças não relacionam este sintoma com os distúrbios de humor nos seus filhos (Oliveira, 1994). Daí a necessidade de os pais serem sempre sensibilizados para uma possível depressão da criança e da influência que eles próprios possam exercer na emergência e na manutenção da enurese (Oliveira, 1994).



Alguns autores concluíram que os fatores emocionais são a principal causa da enurese (Oliveira, 1994).



Segundo Ackerman (1986), a interação dos membros da família nos seus respetivos papéis vai determinar a qualidade da estabilidade das interações familiares (Oliveira, 1994). A conquista da estabilidade é influenciada pela capacidade de cada um dos seus membros competirem e controlarem os seus conflitos internos e as suas relações. Se estes conflitos não forem controlados, então, podem surgir doenças no seio familiar e o paciente identificado se evidência, sendo este membro aquele com mais carência de atenção e afeto (Oliveira, 1994). O paciente identificado emerge muitas vezes de famílias que não geram saúde emocional nos seus membros, sempre buscando ajuda e ajudando a diminuir conflitos relacionais, em que consequentemente é para ele que são dirigidas parte das agressões (Oliveira, 1994). Assim, o sintoma do paciente identificado não é mais do que uma consequência das dificuldades interacionais dentro do seu lar (Oliveira, 1994).



Muitas vezes, estas crianças objetivam a enurese para receberem um pouco mais de afeto e atenção dos seus pais (Oliveira, 1994). Na falta parcial de afeto, a criança com enurese pode desenvolver determinado sintoma, o qual muda o seu comportamento para obter assim ganhos secundários (Oliveira, 1994). Deste modo, a enurese é um exemplo de distúrbio psicológico e somático (Oliveira, 1994).



No trabalho psicoterapêutico deve-se ajudar a criança com enurese e os membros da sua família a suprir as necessidades afetivas ainda não satisfeitas (Oliveira, 1994).



A encoprese é considerada uma defeção nas cuecas, em crianças, entre os 2 e 3 anos, que já ultrapassaram a idade de aquisição da higiene (Marcelli, 2005). A encoprese divide-se em primária e secundária, na primeira não há história de contenção numa fase anterior, na segunda, surge após uma fase mais ou menos longa de contenção (Marcelli, 2005). Segundo a literatura, esta patologia surge em maior percentagem no sexo masculino (Marcelli, 2005). Quanto à idade, surge geralmente entre os 7 e os 8 anos (Marcelli, 2005).



A encoprese e a enurese podem ser concomitantes ou surgir em períodos alternados (Marcelli, 2005).



Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica para Crianças e Adolescentes.




Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica

 



Perturbações do Comportamento Alimentar




As perturbações do comportamento alimentar, nomeadamente, anorexia e bulimia, são transtornos que criam quadros dramáticos e potencialmente fatais (Cordás & Segal, 1994).


 A anorexia nervosa é um transtorno que se caracteriza por uma rejeição à manutenção do peso normal de acordo com a idade e altura, limitações dietéticas auto-impostas, com um padrão alimentar bizarro e acentuada perda de peso, induzida e mantida pelo paciente, associada a um medo intenso de engordar (Cordás & Segal, 1994; Domínguez & Rodríguez, 2005).


A imagem corporal do paciente está gravemente perturbada, sendo este o aspecto central deste transtorno: a pessoa afirma-se gorda, mesmo contra as evidências médicas e os argumentos familiares. Sendo a amenorreia uma característica invariável (Cordás & Segal, 1994).


O transtorno ocorre tipicamente em raparigas, pouco depois da puberdade ou na adolescência, sendo raro em rapazes, como foi observado nas consultas (Cordás & Segal, 1994).


 A história inicia-se com um jejum progressivo, inicialmente voltado a hidratos de carbono e, depois, estendendo-se a vários tipos de alimentos. Associado a esta problemática, está presente um aumento compulsivo de exercícios físicos (Cordás & Segal, 1994). Às vezes são utilizadas outras estratégias para perder peso, como o uso de laxantes, diuréticos ou vómitos voluntários (Cordás & Segal, 1994). As alterações comportamentais observadas são: afastamento social, irritabilidade e depressão. O aproveitamento académico muitas vezes não diminui, sendo, no entanto, necessário mais horas de estudo para a manutenção do desempenho, o que por sua vez, leva a uma redução progressiva das horas de sono (Cordás & Segal, 1994). Apesar das perdas intensas, o paciente tende a negar que algo está errado e dirá que os outros estão a exagerar (Cordás & Segal, 1994).


Relativamente à Anorexia Nervosa que ocorre antes da menarca, a perda de peso pode estar ausente, porém o paciente não consegue atingir o peso esperado para o estádio de desenvolvimento em questão (Cordás & Segal, 1994).


 Quanto ao diagnóstico diferencial, os transtornos que devem ser afastados primeiramente são a depressão na infância e na adolescência, as doenças gastrointestinais que levam a má absorção e as fobias alimentares (Cordás & Segal, 1994). Devemos ter em conta também, que podem estar presentes padrões bizarros de alimentação na esquizofrenia, que pode iniciar-se no final da adolescência, em distúrbios conversivos e em estados hipomaníacos (Cordás & Segal, 1994). Outros distúrbios clínicos que podem simular a anorexia nervosa são os distúrbios neurológicos (como tumores cerebrais) ou distúrbios hormonais (disfunção da hipófise anterior, hiperparatireoidismo, diabetes mellitus juvenil e doença adrenal) (Cordás & Segal, 1994).


Assim, no tratamento da anorexia nervosa deve haver um componente educacional, um componente de correção nutricional e um componente psicoterapêutico (Cordás & Segal, 1994).


No que diz respeito à Bulimia Nervosa, esta foi inicialmente relacionada intimamente com a Anorexia Nervosa, porém estes pacientes apresentam, geralmente, peso normal ou com pequena variação (Cordás & Segal, 1994). A principal característica clínica destes pacientes é a ingestão compulsiva de alimentos (episódios ou acessos bulímicos) (Cordás & Segal, 1994). Estes acessos bulímicos são seguidos de uma sensação de culpa, depressão pela perda de controlo, associada a vómitos provocados, como meio de controlo de peso (Cordás & Segal, 1994). O uso de diuréticos, laxantes, consumo de medicamentos supressores do apetite, períodos de jejum e actividade física excessiva podem estar presentes (Cordás & Segal, 1994; Domínguez & Rodríguez, 2005).


 A grande maioria dos pacientes é do sexo feminino, sendo a idade de aparecimento desta patologia entre os 14 e os 20 anos, mais frequentemente aos 18 anos (Cordás & Segal, 1994).


A gravidade desta problemática depende da frequência dos episódios de vómitos e do uso de laxantes e diuréticos, que podem causar graves desequilíbrios metabólicos (Cordás & Segal, 1994).


 Além da descrição dos sintomas realizada anteriormente, o paciente apresenta a face arredondada, inchada, devido ao aumento das parótidas, em que a retenção hídrica reforça este aspecto (Cordás & Segal, 1994).


A pele propende a ser seca e marcada com cortes e abrasões, nomeadamente nas articulações das mãos (sinal de Russel), devido aos traumas repetidos desta região contra os dentes, no acto de provocar o vómito (Cordás & Segal, 1994). Os dentes têm um perfil em forma de meia-lua, devido à acção erosiva dos vómitos (Cordás & Segal, 1994). Uma disforia crónica (caracterizada por insatisfação pessoal não relacionada a estímulos do meio) e labilidade do humor podem ser salientes (Cordás & Segal, 1994).

 A ingestão de alimentos pode alcançar até 15 mil calorias, no entanto, geralmente oscila entre três e cinco mil calorias (Cordás & Segal, 1994).


A preocupação com o peso não se expressa apenas no que já foi descrito, mas torna-se tão abrangente que passa a constituir o tema principal ou único das conversas dos pacientes (Cordás & Segal, 1994).

No que diz respeito ao diagnóstico diferencial, devemos ter em conta que a bulimia como sintoma isolado pode estar presente em subtipos de doença afectiva, esquizofrenia, em alguns diabéticos juvenis, crianças e adolescentes obesos com episódios nocturnos de voracidade, usuários de psicofármacos (particularmente antidepressivos) e deficientes mentais (Cordás & Segal, 1994).
 Relativamente à génese da Bulimia Nervosa, a literatura refere que poderá surgir por conflitos familiares, história de abuso sexual na infância, questionamento sobre desenvolvimento da feminilidade e uma depressão subjacente (Cordás & Segal, 1994). Como características psicológicas e de personalidade temos a dificuldade no controlo de impulsos, depressão crónica, sentimentos de culpa exagerados, intolerância à frustração e ansiedade recorrente; porém, o denominador principal é o facto de que os episódios bulímicos geralmente ocorrem como resposta a um jejum, e os vómitos posteriores ocorrem devido ao desejo de não se ganhar peso (Cordás & Segal, 1994).


Quanto ao tratamento, este deve ser similar ao da Anorexia Nervosa. A Psicoterapia de apoio está indicada (Cordás & Segal, 1994).
 


Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes Psicoterapia.



Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica