Autismo







O autismo é uma perturbação global do desenvolvimento. As perturbações globais do desenvolvimento estão presentes à nascença, mas os pais só notam geralmente aos 5/6 anos.


Relativamente às causas, estas parecem ser genéticas, não há nenhuma deficiência específica e não é resultado de acidentes ou infeções. A incidência é maior no sexo masculino, ocorrendo em todos os níveis socioeconómicos e por vezes podem apresentar défices cognitivos.


Nos primeiros anos de vida há o desconhecimento da doença, a descoberta é geralmente no infantário ou na escola. Esta psicopatologia é estável, não há perda nem ganho de competências, no entanto estas podem ser treináveis e melhoráveis.


As crianças autistas choram muito à nascença. Têm várias áreas de desenvolvimento afetadas tais como a linguagem, as competências sociais (cumprimentar, contacto ocular) e presença de comportamentos, interesses e atividades estereotipadas.


Reconhecendo a grande variabilidade clínica que ocorre em indivíduos autistas, existe agora um consenso geral de que existe um espectro, que abarca indivíduos com todos os níveis de inteligência e capacidades de linguagem, tornando mais apropriado o uso do termo perturbação do espectro autista.


Relativamente às competências sociais, os autistas apresentam dificuldades na comunicação social (contacto ocular, expressão facial, postura corporal e gestos), pode existir incapacidade para relacionar-se com os colegas, pouco interesse em fazer amizades, dificuldades nos jogos, não percebe as regras dos jogos, joga sozinho, vê as outras pessoas como objetos, não compreendem as suas necessidades nem percebem o mal-estar dos outros, têm dificuldade em expressar emoções apropriadamente (gratidão, satisfação, prazer, dar um beijo), não sabe o que fazer quando encontra alguém, baixa tolerância na mudança de rotinas, ausência de jogo imitativo ou simbólico (não brincam a fingir), têm obsessão por objetos com movimentos rotativos (ventoinhas) e circulares. O défice da interação social pode se manifestar através do isolamento social ou comportamento social impróprio, com incapacidade para desenvolver laços afetivos e relações com as crianças de sua idade.


Alguns pais contam que os seus filhos apresentam, desde os primeiros meses de vida, um comportamento atípico, tais como: não estendiam os braços para ir com eles, não olhavam o rosto, ao carregá-los não adaptavam o seu corpo ao da mãe, pareciam calados e quietos a maior parte do tempo, pareciam surdos já que não tinham reação quando chamados pelo nome, mas sim a outros sons especiais como a música de uma propaganda ou um programa de rádio ou televisão.


Quanto às competências de linguagem, estas crianças apresentam uma linguagem simples e não há articulação das frases (não há o verbo), não articulam o tempo, incapacidade para manter e iniciar uma conversa, a fala pode ser anormal, a compreensão da linguagem está muitas vezes atrasada, pode não compreender instruções ou perguntas simples e ironias, palavras repetitivas (ouve um anúncio e repete), sofrem de ecolália (fazem um efeito de eco ao que ouvem), linguagem idiossincrática (têm um tipo de manias de linguagem, só ele é que percebe), não se referem a eles próprios com o “eu” mas com o “João”, estão sempre a utilizar as mesmas palavras (pobreza de linguagem).


As alterações na capacidade de comunicação com os demais afetam tanto as habilidades verbais quanto as não-verbais. As crianças com esta perturbação podem apresentar um atraso importante na aquisição da linguagem ou ausência total dela.


Uma dificuldade básica é a falta do desenvolvimento de linguagem comunicativa. Tem-se comprovado que só metade dos autistas desenvolvem uma linguagem funcional, enquanto todos sofrem de importantes problemas de compreensão.


Além disso, eles empregam a terceira pessoa para referir-se a si mesmo e invertem os pronomes. Às vezes proferem uma série de frases memorizadas de um programa de televisão, inúteis para a comunicação.


No que concerne aos comportamentos estereotipados, os autistas podem apresentar estereotipias na linguagem, motoras (mexer a mão rapidamente), andam de uma determinada maneira (como se tivessem uma deficiência), estão sempre a balancear-se, têm interesses restritos: números de telefones, datas, berram por qualquer coisa em público.
 

Quando a brincadeira se desenvolve, ela é repetitiva, monótona, sem as características do brincar espontâneo da criança normal, isto é, não se presenciam nuances do verdadeiro jogo imaginativo ou simbólico. A brincadeira simulada com outra criança, o brincar de “faz de conta” (brincar de esconder, simular a preparação de comida), está além da capacidade dos autistas, já que estas atividades exigem a compreensão de condutas complexas, sociais ou não-sociais. Não há a imitação própria da primeira infância, e as crianças apresentam atividades lúdicas fora do contexto.


Elas podem ter uma extraordinária aptidão para perceber detalhes insignificantes, associada à incapacidade para a abstração e formação de conceitos. Observa-se grande interesse pelos aspetos elementares dos objetos, como o seu odor, sabor, textura, ou as suas partes. Elas usam muito os sentidos, saboreiam objetos não comestíveis, brincam de maneira obsessiva com a água, sentem prazer ao fazer barulho com objetos de metal, parecem fascinados por movimentos como girar de forma repetitiva uma moeda ou roda, ou abrir e fechar portas.
 
 
O apoio psicológico é essencial para a estimulação das áreas deficitárias.


Neste sentido, a Escola de Afetos fornece aos seus clientes consultas de Psicologia Clínica para Crianças e Adolescentes.



Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga Clínica, Pós-Graduada em Psicologia Escolar

 

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