Psicologia Organizacional




Já ouviu falar? Sabe para que serve? O que pode trabalhar um psicólogo numa empresa?



Para melhor compreender a Psicologia Organizacional, devemos em primeiro lugar clarificar o que é uma organização. Entre várias definições, podemos dizer que uma organização é a coordenação planeada das tarefas de várias pessoas para a obtenção de um propósito ou objetivo comum, através da divisão de atividades e funções e através de uma hierarquia de poder e responsabilidade (Schein, 1982).


A Psicologia Organizacional tem sofrido várias alterações ao longo do tempo mediante as necessidades que se lhe tem imposto como a escolha dos melhores funcionários, a motivação dos colaboradores, a redução do absentismo, a produtividade, a promoção de uma comunicação eficaz, a gestão internacional de recursos humanos, o desemprego, a mediação de conflitos, entre outros (Schein, 1982; Muchinsky, 2004).


As organizações são conjuntos ordenados de atividades humanas, apenas quando foram recrutadas pessoas para determinadas funções e executam as mesmas (Schein, 1982). Desta forma, a principal questão nas organizações é a forma como se fará o recrutamento de colaboradores, como selecioná-los, treiná-los e socializá-los e como coloca-los em funções que se adquira um rendimento mais eficaz (Schein, 1982). Neste contexto, o treinamento passa por o ensino de habilidades técnicas necessárias à função e a socialização ao ensino da forma como ele deve se relacionar na organização, quais as principais normas e regras de conduta e como chegar às demais pessoas da organização (Schein, 1982). O novo colaborador deve saber onde estar em dado momento, o que trajar, como dirigir-se ao chefe, a quem consultar quando necessitar de saber algo, como executar uma tarefa e inúmeras outras coisas (Schein, 1982).


Uma das problemáticas do recrutamento de colaboradores, é que uma política de recrutamento, seleção, treinamento e socialização com vista a obter dos colaboradores o melhor desempenho não atesta automaticamente que serão satisfeitas as necessidades e expetativas individuais com que esses colaboradores chegaram à organização (Schein, 1982). Assim a Psicologia Organizacional, depara-se com um dilema – as políticas e práticas que asseguram a eficiência das organizações podem deixar insatisfeitas as necessidades dos colaboradores (Schein, 1982). Assim sendo, podemos ter colaboradores alienados, inseguros e ressentidos, se a organização não proporcionar as necessidades mínimas de segurança, manutenção de auto-estima e oportunidade de crescer e evoluir (Schein, 1982).


A eficiência das pessoas numa organização leva-nos a várias questões tais como: o que se procura realizar; como organizar o trabalho para atingir os objetivos; como recrutar, treinar, distribuir o trabalho e gerir os recursos humanos; como implementar condições de trabalho e sistemas de recompensas e punições que promovam a eficiência e a motivação por longos períodos de tempo; como fazer mudanças na organização em resposta às inovações tecnológicas e sociais ocorridas dentro e fora da organização; como gerir a competição e outras forças que provêm de outras instituições (Schein, 1982).


O panorama organizacional pode ser visto através de duas perspetivas principais: a perspetiva do colaborador que a organização é a sua fonte de trabalho, subsistência económica, contato social e rotinas de vida básicas, reconhecendo-se que hoje em dia a maior parte das pessoas passa a maior parte do seu tempo no trabalho e a perspetiva do patrão da organização que age pelo interesse da organização, que introduz medidas e toma decisões que influenciam um grande número de sujeitos e em última análise afetam o destino da própria organização (Schein, 1982).


Através de estudos de motivação de funcionários numa organização, os psicólogos começaram a compreender que cada sujeito seja ele colaborador ou patrão perceciona a organização como uma entidade psicológica à qual reage (Schein, 1982). A qualidade e quantidade do trabalho de cada sujeito estão relacionadas com a imagem que este tem da organização como um todo e não com características do trabalho ou incentivos monetários imediatos (Schein, 1982).


A psicologia organizacional, como campo de estudo, surgiu do reconhecimento que as organizações são sistemas sociais complexos e que as questões de comportamento humano individual dentro de uma organização devem ser analisadas de acordo com a perspetiva do sistema social na sua totalidade (Schein, 1982).


Para finalizar, podemos dizer que um psicólogo na área organizacional pode trabalhar em seis áreas gerais tais como:


1) Seleção e recrutamento – o psicólogo ocupa-se em desenvolver métodos de avaliação para a seleção, recrutamento e promoção de colaboradores (Muchinsky, 2004).


2) Treinamento e desenvolvimento – aqui o papel do psicólogo passa por identificar as competências do colaborador que podem vir a ser melhoradas através de treino das mesmas ou de uma formação para que possa melhorar o seu desempenho no cargo (Muchinsky, 2004).


3) Avaliação de desempenho – é um processo utilizado por algumas organizações para avaliar a performance dos seus colaboradores no desempenho das suas funções (Muchinsky, 2004). Aqui o psicólogo pode medir o desempenho das variadas equipas de trabalho ou da própria organização (Muchinsky, 2004).


4) Desenvolvimento Organizacional – passa por um processo de maximizar a satisfação e a eficácia dos colaboradores e dos clientes (Muchinsky, 2004). As organizações tal como o ser humano podem se desenvolver, dessa forma cabe ao psicólogo o papel de facilitador no processo de crescimento organizacional (Muchinsky, 2004).


5) Qualidade de Vida Profissional – os psicólogos que trabalham nesta área têm em conta os fatores que contribuem para a força de trabalho sadia e produtiva (Muchinsky, 2004). Eles redesenham funções para torna-las mais significativas e gratificantes para os colaboradores que as desempenham (Muchinsky, 2004). A qualidade de vida profissional contribui para uma maior produtividade da organização e uma melhor saúde mental do individuo (Muchinsky, 2004).
 

6) Ergonomia – este é um campo multidisciplinar, onde os psicólogos também entram, eles utilizam o conhecimento derivado da fisiologia, da medicina do trabalho e da perceção para criar sistemas de trabalho adaptados ao ser humano (Muchinsky, 2004).


Neste sentido, a Escola de Afetos fornece às empresas variadas intervenções para organizações.





Texto escrito por Carolina Violas, Psicóloga, Pós-Graduada em Gestão de Pessoas

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